sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Verdadeira Sabedoria X Falsa Sabedoria




Sermão em Tg 3.13-18



O Senhor Jesus Cristo disse certe vez: “... a sabedoria é justificada por todos os seus filhos”. Lc 7.35. Com certeza, na sua carta, o servo de Jesus Tiago está lembrando o ensino explícito do Mestre. No trecho em questão, Tiago procura por freios na pretensão de alguns em tornarem-se mestres. Em todo o tempo, ele lembrar os crentes das responsabilidades e perigos do falar, advertência importante, principalmente, àqueles que ambicionavam serem vistos como mestres. Agora, ele chama atenção dos crentes, especialmente dos “aspirantes” a líderes, para a natureza da verdadeira sabedoria – algo exigido de todos, mas especialmente dos mestres! Certamente, lembrando e aplicando o que o Sr. Jesus Cristo já falara, o apóstolo Tiago mostra que: A Sabedoria é Classificada pelos seus Frutos.

Primeiramente, vemos que a sabedoria falsa produz maus frutos (3.13-16):“13 Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras”. Sabemos que o público ao qual Tiago escreve era constituído de pessoas simples, pobres, oprimidas e perseguidas. Eram pessoas humanamente desvalorizadas. O que era um problema, visto que o ser humano gosta de sentir-se valorizado. Para esses crentes, o único meio social onde eles encontravam algum valor era, sem dúvida, a igreja. Ora, se é verdade que gostamos de sentirmo-nos valorizados, é igualmente verdade, que por causa do pecado, temos a tendência de querermos ter um pouco de glória para nós! Uma glória que não é divina, mas pecaminosa! O desejo de nos vermos um pouco menor do que Deus, e maiores do que todos os demais homens!  Deste modo, aqueles que nunca foram nada diante do mundo ou, então, aqueles que perderam todo o seu crédito e espaço, por causa da sua fé em Jesus, eram tentados a se enfatuarem no meio do Povo de Deus. No seu desejo, pecaminoso de marcarem espaço, de engrandecerem os nomes, de serem tidos por sábios, procuravam serem mestres e líderes da igreja, o que não dá certo se não procede de Deus! Naquele momento havia muitos dizendo: “eu tenho chamado, eu posso instruir os irmãos, eu sou sábio!” Por isso, o apóstolo diz: “você se acha sábio? Então demonstre em seus frutos, no proceder, na vida, não apenas em palavras; mas com coerência!” Como já vimos o apóstolo Tiago lembrar a palavra do Sr. Jesus Cristo que diz que: “a sabedoria é justificada por todos os seus filhos” Lc 7.35. Devemos ter em mente que na Bíblia, sabedoria não é mero conhecimento mas a capacidade prática de viver! O que não envolve necessariamente estudo! Também não deve ser confundido com esperteza, pois nem todo esperto é sábio! Um bom exemplo disso é o Diabo! E qual fruto produz a esperteza do Diabo?

14 Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. 15 Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. 16 Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins.”  O crente mostra o que é pelos seus frutos, ele mostra amor pelos seus frutos, ele mostra sabedoria pelos seus frutos! Então, se alguém almeja liderar e/ou ensinar, a evidência para tal é a sua sabedoria, ou antes, o fruto que ela produz. Se o fruto é podre, então tal sabedoria não vem de Deus, consequentemente, não há chamado. Tiago combate os sentimentos carnais que motivavam alguns crentes a desejarem serem mestres: inveja e facção! Eles queriam ser mestres, pois invejavam os verdadeiros mestres, queriam seguidores em torno de si.  Por causa disso, Tiago vaticina: “Se vocês querem ser sábios, por inveja e partidarismo, nem se orgulhem, nem se enganem. Vocês podem até ser sábios, mas não segundo Deus, mas segundo a sua natureza pecaminosa e animal e segundo a astúcia do Diabo, pois em vocês há inveja e partidarismo, o que produzirá confusão e coisa ruim!”

Muitos hoje tentam se tornarem líderes da Igreja do Senhor Jesus Cristo sem a unção que vem do Santo, o fazem por egocentrismo, ou por partidarismo, ou por narcisismo. Os resultados vemos em nossa volta e são: divisões, intrigas e escândalos. As palavras do servo do Senhor Jesus Cristo nunca foram tão atuais.

Em segundo lugar, vemos que a sabedoria verdadeira produz bons frutos (3.17-18): “17  A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento”. Tiago mostra a verdadeira sabedoria que deve ser buscada pelos crentes e que todo aquele que é chamado por Deus para a liderança e ensino deve possuir -  “a sabedoria do alto”. A expressão chama atenção Àquele que a dá, Deus, o Alto e Sublime (Is 57.15); o que contrasta com a sabedoria dos pretensos mestres que já foram repreendidos, cuja sabedoria era “terrena, animal e demoníaca”.

Sendo verdade que a sabedoria terrena, animal e demoníaca é incentiva pela inveja e facciosismo e seus frutos são ruins, dentre eles a confusão. Por outro, lado a sabedoria que procede de Deus é totalmente santa quanto a sua natureza e frutos. Tiago mostra que ela é:
a)    Pura – a palavra se refere à pureza moral. Aqueles que possuem a sabedoria de Deus são moralmente irrepreensíveis. Vemos na Bíblia que exemplos como o de José e Daniel, sábios segundo Deus que permaneceram incontaminados em meio a uma geração má e perversa!
b)    Pacífica – quem tem a sabedoria do alto, não viverá a contender, a semear discórdia e criar “partidos”, pois a mesma é pacífica – gera paz!
c)    Tratável­ – quer dizer aberta ao diálogo.
d)    Plena de misericórdia e de bons frutos – cheia de capacidade para se compadecer da miséria do próximo, bem como repleta de frutos, ou seja, não fica apenas nas palavras, mas se concretiza em obras!e)    Imparcial – “a palavra literalmente significa alguém incapaz de fazer uma distinção; daí a idéia de imparcialidade no julgar” (Rev. Augutus Nicodemus). Um sábio é imparcial julgar retamente sem olhar para a aparência externa, status e posses.
f)     Sem fingimento – ou seja, sem hipocrisia, sincera. A verdadeira sabedoria não condiz com a falsidade e mentira.

 18 Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.” Tiago usa uma imagem muito comum na Bíblia para designar a função dos pregadores da Palavra – a da semeadura!  O pregador da Palavra é como um agricultor que lança a semente ao solo. A semente é a Palavra de Deus. O verdadeiro mestre, e podemos dizer o verdadeiro crente, que prega com sinceridade a Palavra de Deus, a prega em paz, para colher a paz! Pelos frutos se conhece a árvore. O verdadeiro ministério escolhido por Deus será frutífero naquilo que intentar pois terá a sua unção e confirmação e será conhecido por todo o povo de Deus.

Concluindo essa reflexão, quero novamente lembrar as palavras do Sr. Jesus Cristo: “a sabedoria é justificada por todos os seus filhos”. Lc 7.35. Pergunto: Temos sido sábios? A palavra de Deus nos recomenda a sabedoria! Quais os frutos da nossa sabedoria? Será que temos frutos dignos daquilo que professamos?


Rev. Andriel Cleber Santos de Araújo




sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tenha Cuidado no Falar




Sermão em Tg 3.1-12.

 Introdução – “Quem fala tudo o que pensa, acaba falando o que não convém!” Rev. Maely. Esse meu querido mestre sempre usava essa expressão para o perigo com as palavras. É preciso ter cuidado com a língua, com o que falamos.


Elucidação – Dentro da meta de ensinar os cristão-judeus da necessidade de um “Cristianismo Verdadeiro”, Tiago agora começa a apontar uma área que faz parte da vida – o falar. O Cristianismo verdadeiro é o Cristianismo Completo – de pensamento, atos e palavras; por isso, Tiago exorta os crentes sobre o falar.


Tenha Cuidado no Falar


I – Por que A Língua é Incontrolável (3.1-5): “1  Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.”

A - Advertência aos Mestres. Tiago começa advertindo essa classe de oficiais, não por serem mais propensos ao mal, nem por serem desnecessários, como alguns podem até pensar, mas, justamente, pelo fato do oficio do mestre ser essencialmente oral!

a)    O oficio de mestre requer responsabilidade, como qualquer outro, ou talvez até mais! Um mestre equivocado ou mal intencionado é um instrumento muito útil ao Diabo.

b)     Quem é notado é anotado.” Diz certo ditado! Todo mundo presta mais atenção na vida de quem está ensinando do que na vida daquele que está calado.

B – Talvez, algum irmão dissesse: “Eu não tropeço nunca!” ou talvez, outro dissesse: “Há sim, eu sou pecador, mas não tenho problema com o falar!”. Tiago não é hipócrita, ele sabe que os crentes ainda erram, e por isso, ele mesmo se inclui na categoria de pecador. Quando diz: “2 Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito (maduro) varão, capaz de refrear também todo o corpo.” Ele está dizendo: “Sejam sinceros e vejam um coisa, todo crente erra em algo, não é mesmo. Mas se você não erra no falar, você já é suficientemente maduro, para controlar qualquer outro pecado na sua vida. Pois controlar a língua é muito difícil!” Quem consegue controlar a língua, consegue controlar qualquer área da vida. Duas símiles:

a)    Cavalos – 3 Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro.

b)   Navios – 4  Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. 5  Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas.”

C – Como é difícil controlar a língua! Controlar o que falamos! Ela é pequena, mas se gaba de grandes coisas! Existe um ditado: “Quem tem boca fala o que quer! Quem tem ouvido ouve o que não quer!” Se gabar, é a mesma coisa de vangloriar, algo condenado na Bíblia. Através da língua o homem pode sem motivo engrandecer-se!


II – Por que A Língua é Destrutiva (3.6-8): “Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! 5b. 6  Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno.”

A – O poder destrutivo da língua é comparado a uma fagulha! Vemos nos noticiários que incêndios gigantescos, na maioria das vezes, iniciam-se a partir de cigarros prestes a se apagarem! Que poder destrutivo tem o fogo? Ele destrói em horas uma floresta cujas árvores levaram séculos para crescerem! Porém, tal poder não é impar, ele encontra um par: a língua humana.

a)    A Bíblia em outros lugares compara a língua ao fogo -  Pv 16.27  O homem depravado cava o mal, e nos seus lábios há como que fogo ardente.”

b)    Percebam a semelhança da língua com o fogo. Ele começa aos poucos até tomar proporções gigantescas. Quantas intrigas ou difamações não começam de pequenos focos, às vezes, mal entendidos, que a cada novo ouvinte ganhou um complemento, ao ponto de virar uma grande rede de destruição!

B - A Língua em si possui um alto poder destrutivo! Ela:

a)    Contamina o corpo inteiro: a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro,

b)    A língua é capaz de instigar a humanidade ao mal: e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana,

c)    É útil aos propósitos malignos do Diabo.v. 3 como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno.”

C – Tiago lembra que o homem que recebeu a autoridade e capacidade de dominar as criaturas, fracassa no próprio falar: “v. 7 Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; 8  a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero”.


III – Por que A Língua é Incoerente (3.9-12): “9  Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.”

A - A língua faz coisas boas e más. No entanto, o cristão deveria fazer apenas coisas boas, deve crucificar aquilo que pertence à natureza pecaminosa, e cada dia se revestir de virtudes, o que condiz com a sua nova condição.


B – Como já falamos, o apóstolo adverte contra a incoerência de vida, a diferença entre o dito e o feito, entre o crido e o demonstrado! A coerência do crente deve se refletir no seu falar. É incoerente ser cristão e viver a amaldiçoar os outros, blasfemar, murmurar, mentir, falar obscenidades.  Quem vê um crente sem santidade no falar, dificilmente acreditará na santidade de vida, afinal a boca fala do que está cheio o coração (Mt 12.34).

a)    As pureza no falar pertence a nova natureza, que aquele que possui a Cristo recebe. Ex.: Ef 4.29  “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.” E também: 1Pe 3.9  “...não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança.”


C –10 De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. 11  Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?12  Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce.” O que falamos pode ser facilmente desmentido pelo que praticamos. Há pessoas com muitas palavras e poucas obras, há pessoas com belas palavras e obras horríveis e há pessoas que nem palavras belas possuem. Isso tudo Tiago combate! Tem gente que a própria boca é podre, nem precisa olhar para a vida! As palavras já dizem tudo!

a)    A incoerência dos frutos – Mt 7: “16  Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17  Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.”

b)    O Senhor Jesus Cristo nos ordenou que abençoar os que nos amaldiçoam (Mt 5.44).

 Conclusão

  • Tenha domínio próprio – controle a língua.
  • Seja produtivo - controle a língua.
  • Seja coerente e não um hipócrita – controle a língua.